quinta-feira, 4 de junho de 2009

Fernando Pessoa e seus heterónimos.

Às vezes, em dias de luz perfeita e exacta,
Em que as coisas têm toda a realidade que podem ter,
Pergunto a mim próprio devagar
Porque sequer atribuo eu
Beleza às coisas.
Uma flor acaso tem beleza?
Tem beleza acaso um fruto?
Não: têm cor e forma
E existência apenas.
A beleza é o nome de qualquer coisa que não existe
Que eu dou às coisas em troca do agrado que me dão.
Não significa nada.
Então porque digo eu das coisas: são belas?
Sim, mesmo a mim, que vivo só de viver,
Invisíveis, vêm ter comigo as mentiras dos homens
Perante as coisas,
Perante as coisas que simplesmente existem.
Que difícil ser próprio e não ser senão o visível!

Alberto Caeiro

terça-feira, 2 de junho de 2009

Que o meu Primo, descanse em Paz...

O porquê de morrer.
Continuamos a morrer...
Um pedacinho por dia.
A morte tem batido em minha porta.
Em dias de sol,
Dias cinzentos ou noite escuras.
Eu vou pedindo
Vai-te embora!
Deixa-nos respiras, viver...
Deixa-nos crescer,
Estou a apreender a perdoar,
a corrigir-me...
Mas, aquela voz pálida e fria persegue-me.
Olha-me com os olhos de trevas, e diz:
Hei de vir-te buscar, outro dia.

sexta-feira, 29 de maio de 2009

"Um Mundo Sem Fim", de Ken Folllett

Depois de ler "Os Pilares da Terra", era obrigatório ler o II Volume.

Voltar a Kingsbridge, 2 séculos depois...

Depois de ler as peripécias do Prior Phillp, de ver retratada a Inglaterra do século XII, sentir a transmição de tantas emoções reaís, como o amor, ódio, medo e a vingança.

Com o rigor histórico, dando-nos a conhecer a vida, o quotidiano da população dos condados ingleses na Idade Média.

As personagens são apaixonantes , são heróis , são vilões que criam uma teia de intrigas e suspense ,no final da aventura alcançaram aquilo por que lutaram toda a vida.

Gostei da colecção. Aliás, adorei.
Nos 2 livros, é-nos apresentada a personagem odiosa de William Hamleigh, um jovem sem escrúpulos.

A fixação da personagem em Aliena é um dos factores principais que influencia todo o enredo, durante três gerações. Ao longo das páginas, apercebemo-nos das suas frustrações, ódios, esperanças e medos, tornando William, de facto, uma das personagens fulcrais para o desenrolar da história.

Contudo, o seu fim é vazio.
Sabemos que o seu final de vida será triste, solitário e doloroso.
É-lhe dada essa importância, sim, face aos seus inimigos, mas o leitor precisa de uma maior envolvência acerca do seu medo do inferno, da sua vida em busca de Aliena, das mortes em campo, da sua frieza para com os habitantes do seu condado.

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Chegadas,partidas e regressos...

Transporto-me a um lugar.
Algumas horas.

A nenhum destino...
Perto, longe.
Viajo !!!
Ida e vinda de lugar nenhum.

Faço a travessia.
Sempre incompleta ...
Para poder voltar!
Recomeçar do nada.
Poder sonhar com o regresso...

Só aprecio o imutável.
O inalterável.
É neste encantamento, que chegam as memórias.
Fidedignas ao real acontecido.
Presenciadas e, acima de tudo, vividas.
São os meus sentimentos.
As minhas banalidades
Futilidades,coisas sem valor... que vão acontecendo.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Carpe diem

Viver,
Ontem, hoje e amanhã!
Cada dia que passa, a morte aproximasse
É este o nosso mundo,
Não o podemos alterar.
Eu vou mantendo os meus valores.
Tento simplesmente, ser melhor pessoa.

A minha mãe dizia-me deixa de correr atrás das borboletas, nunca vás conseguir apanhá-las. Cultiva e cuida o jardim ,que elas vêem até ti ...mas, esqueceu-se de me dizer que elas voam... e, raramente voltam.

Comecei a ver que não sou nada?

Não sou dona da minha vida.

Da minha felicidade.
Não tenho nada

Por isso sorriu, é o meu melhor.

Só recordo o que me fez, e faz feliz .

terça-feira, 12 de maio de 2009

A jornalista escritora Victoria Hislop

Escreve artigos sobre educação para o Sunday e Daily Thelegraph, e artigos generalistas na Woman & Home.
Escreveu o primeiro livro " A Ilha" em 2007, que logo tornou-se num bestseller.

Acabei de ler o "Regresso", o seu segundo livro. Cativante.
Levou-me ao dia-a-dia de Granada durante a Guerra Civil Espanhola.

Arrepiante na crua descrição da invasão de Franco e pela sua tomada de poder, onde todos eram marionetas nas suas mãos.
O Romance é comovente.
Passado em Granada, com as torres do Alhambra, música e segredos.
A personagem do livro Sónia Cameron não sabe nada sobre o passado da cidade. Ela só quer apreender dançar. Frequenta um café que tem uma colecção de fotografias antigas ,que lhe despertam a sua atenção . Setenta anos antes, o café era uma casa de família .
Em 1936, um golpe militar liderado por Franco destrói a família que ficam divididas pela política e pela tragédia.


Adorei, e recomendo.

domingo, 10 de maio de 2009

As flores e os Amigos

As flores estão no nosso caminho, para que possamos sentir aromas durante todo o ano.
Só usufruímos o seu cheiro, quando são plantadas com amor e carinho.
Quando o vento joga as sementes à terra, elas nascem sozinhas.
As intempéries esfacelam as sua pétalas, retiram-lhe o perfume, ficam sem cor,sem graça, sem brilho...

















Elas, são como os amigos.
Se duram um dia, uma semana, um mês, ou anos...tanto faz, o que interessa é a sua existência.
As flores e os poemas, devem ser sentidas nas nervuras da alma.
As flores são como melodias risonhas, a embalar as nossas horas em todos os períodos do ano.
Na Primavera elas florescem,crescem , no Verão amadurecem, atigem o auge da beleza , a luz do sol , faz vermos todas as cores, ficam esplendorosas ...
Quando o Outono chega, cheio de beleza e melancolia, retira-lhe as folhas, seca-lhe as flores, e deixa que envelheçam.
E, o inverno?
Traz o frio, a chuva, a neve , o escuro, vem a saudade... e, as noites longas.
São os amigos que ficaram que trazem calor, luz e o brilho .
São as flores com a sua presença.
Elas,não são todas belas e perfumadas?
Não,
Só as que nos fazem sentir que não estamos sozinhas.

Funchal

Funchal