quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Procura-se felicidade.

Sempre pensei que objectivo principal e necessário de toda a existência deveria ser a felicidade.
Mas verifiquei que a felicidade não pode ser obtida individualmente, é inútil se esperar pela felicidade isolada.
Quanto melhor ser a dois, dá mais força para procurá-la.
Todos devemos partilhá-la ou então a maioria das pessoas nunca poderão ser capazes de gozá-la.
Assim até parece simples: a felicidade, o amor, a vida, a beleza, a amizade e esperança.
Eu, ser humano, sou eterna insatisfeita.
Parece que nunca estou completa, e, também, posso dizer que adquiri manias e imperfeições que não ajudam em nada os meus percursos.
Também as teorias filosóficas de que, se pensarmos sempre bem, é isso que acaba acontecendo, não me parece real.
Também me sentir feliz porque há pessoas com situações piores que eu, não me parece nada correcto.
Também valorizar o que tenho em função do que outros não têm, é crueldade.
Eu, analisando rapidamente tudo o que dizem e o que se diz, fico em desvantagem por não ter fé, por não acreditar na boa vontade deste mundo tão desigual.
Mas o que eu quero hoje dizer é que estou feliz...
Já não falta tudo para ser uma pessoa completamente realizada.Lógicamente que ando sempre à procura,daquela perfeição imperfeita, da ilusão...
A minha vida dá voltas, cruzo-me com pessoas que, de uma forma ou de outra, mudam a minha vida ou, pelo menos, fazem-me sorrir exactamente da forma como eu preciso.
Era isto que hoje vos queria dizer, que a vida pode sempre nos surpreender, quando menos esperamos.
Há boas notícias que chegam, há várias realidades, há vulgaridades, contudo há dias que marcam a nossa alma e a nossa vida, e são estas datas que eu decido comemorar.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Em construção.

Quando falta uma peça do puzzle, aquela que nem é significante, aquela que fica naquele cantinho inferior, aquela que só é notada pelos bons observadores, mas não está lá, é a frustração de não estar completo.
O grande puzzle está longe de estar acabado.
As peças nem sempre encaixam, é aí que eu vejo a imperfeição, desde a infância é um jogo que me fascina, porque sentia-me em construção.
Sinto saudades do que eu era.
Da vontade de viver, brincar, sonhar,de fazer tudo ao mesmo tempo, de ver os brinquedos pendurados no arco-íris. Do calorzinho na barriga.. que delicia!
Não sei se o erro está comigo ou com as pessoas que não me despertam mais essa sensação.
Sinto saudade dos sorrisos espontâneos, das gargalhadas que eu dava que poderiam se ouvidas pelos vizinhos. Ainda hoje muito característico aliás..
E era sincera, era verdadeira. Hoje já não sou a mesma, quando eu me lembro dela, sinto saudades. Era divertida, desinibida, sem preocupações, era menina, era jovial, era alegre.
E faz-me falta.
Quando lembro dela não parece que ela sou eu.
Fico com a impressão que ela é uma amiga que foi embora.
Mas sou eu, ou o que eu era. Eu sinto saudade de mim mesma.
Cresci aprendendo a construir, montei o puzzle da minha vida, do meu mundo, sem me confundir, até que surgiu o vento, primeiro soprou mansinho, depois transformou-se em tempestade, e foi muito mau, e fez a festa, derrubando, destruindo tudo, e ainda, me levou uma peça...
A vida é um puzzle, desde quando abrimos os olhos pela manhã, desde o momento que juntamos sentimentos, actos, pessoas, memórias, melodias, sabores, sensações.
Foi acumulando as peças como se escrevesse um livro, preenchi páginas que servem de pensamentos, de lembranças, de reflexões. Guardei-as, escondi-as ...
Mas, às vezes chega a altura certa , e vou destapá-las. Organizo-as por tons, por alegrias, por tristezas, por texturas…construo um quadro, disfarçadamente daquilo que me perturba, sentindo a recordação que tende a não desaparecer.
A vida é um puzzle imperfeito, nunca sei o lugar correcto das suas peças.
Eu…
Sou uma simples peça de um puzzle que alguém monta,
uma peça na vida de alguém,
uma peça de um passado…
de um futuro…
de alguém…
Aos poucos vou montando as peças, peço-vos continuem a me ajudar a construir... ,só mais um.

sábado, 3 de outubro de 2009

" O silêncio das Manhãs " in a criança em ruínas de José Luís Peixoto

O silêncio das manhãs
e a magia cantada da nossa felicidade, recordas mãe o riso aberto das crianças na paz do nosso quintal?

A luz filtrada pelos pessegueiros e a luz maior e muito mais limpa do olhar,
recordas mãe a segurança calada dos nossos abraços distantes?

As minhas irmãs meninas, o meu pai, o teu rosto pequeno, menina, recordas mãe os domingos com gasosa e uma galinha depenada?

A tua cadela sem raça a guardar-nos e a dormir quieta aos nossos pés, recordas mãe como morreu, como acabaram os domingos e as manhãs, para nunca mais ser domingo ou manhã no silêncio do nosso quintal?

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

A ilusão, e a espera....

E assim, ficamos sós...
Eu, à espera do nada.
Sem resposta.
Sem a ilusão.
Sem regresso.
Em silêncio.
Neste mundo,
que é uma grande sala de espera...
Ver partidas e chegadas.
Criar ilusões...
Sonhando!!
A hora passa...
A Ilusão espera com esperança.
A ilusão é falsa, a esperança não.
Um dia, vou encontrar a ilusão sentada,
esperando a esperança.
A esperança corre ao vento,
pelo tempo,
pelos campos,
pelos rios e mares!
Quer ser encontrada...mas demora...
o dia passa, a noite passa,
a esperança sonha...sonha que chegou .
Quem sabe a ilusão passou,
e a esperança não deu atenção?!

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Fiz uma pausa para o chá

Podem ser pessoas com boa presença, lindas com inteligência, simpáticas,mas se falta a boa educação, tudo fica sem brilho.
É o que vulgarmente se diz "falta de chá".
Hoje, é muito frequente vermos uma falta de educação a todo o nível: com a família,no trabalho, na rua...
As pessoa estudam mais, fazem cursos profissionaís, cursos superiores, ficam com mais conhecimentos, e deixam a educação em último plano.
Ensinaram-me a respeitar as pessoas, todas as pessoas, com ou sem diferenças, e não consigo aceitar a prepotência e, a mal formação pessoal.
Choca-me não ouvir um "com licença",um "faz favor" ou um simples "obrigado", quando nos é servido o chá na mesa.
Quem é da minha geração, certamente lembra-se, que levar uns puxões de orelhas de pai ou da mãe,era natural .
Muitos devem lembrar-se de que bastava um olhar meio atravessado dos nossos pais, e víamos instantaneamente que tínhamos feito algo de errado.
Nós obedecíamos à Mãe e ao Pai como seres superiores, mitológicos, omnipresentes e poderosos. Eram os nossos super-heróis , inatingíveis.
Respeitavamos a família, os mais idosos, mas nem assim o mundo era perfeito.
Simplesmente quero dizer que, hoje, os pedagogos, os psicólogos e educadores dizem que dar uma palmada é a falência da educação.
Quando eu era criança aprendi a boa educação com os meus pais, avós, tios, professores, afim de nos comportamos bem para vivermos na sociedade.
De cada um tirei um ensinamento, apreendi, e, hoje continuo a ter cuidado em não magoar ninguém.
A vida é simples, viveríamos melhor se observassémos as regras que aprendemos quando eramos criança, certamente iríamos respeitar mais o outro e o amor seria um sentimento mais comum entre nós.
E, porque não o "bom-dia",que fica sempre bem!

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Fiz uma pausa, para tomar café

Actualmente, vivemos num contexto de competitividade, agressividade e impaciência.
As pessoas andam assim.
Eu acredito que a agressividade vem de sempre, o stress fica como culpado, mas as pessoas são isto mesmo, más e egoístas.
Não querendo generalizar,há sempre as boas pessoas !!!
Causas mínimas, ou a ausência delas, tornam-se motivos de separação entre casais e amigos.
Isto acontece porque lidar com pessoas é uma das coisas mais difíceis que existe.
Para quê viver brigando quando se pode alcançar os objectivos vivendo em paz?
Há conversas que vão e vêm, conversas que passam, conversas sem sentido, conversas para perder tempo:
- As chamadas “conversas de café”.
Contudo a banal presença mesmo ao balcão para tomar um café à pressa, pode-nos brindar com uma “conversa” que nos faz pensar na vida, nas pessoas e nas nossa postura perante as coisas.
Talvez, seja mais fácil deixar tudo como está do que tentar fazer diferente.
É que nós corremos o risco de acertar e fazer muito melhor.
Ou então, deixar tudo como está ,é o resultado mais imediato da resistência em abandonar a zona de conforto da preguiça e da inércia.
Pode ser fácil adaptar-nos a situações de agressividade nos nossos relacionamentos, até nos mais íntimos, encontramos sempre justificação para a violência do outro.
E, a nossa vida?
Aí, a chance de viver com um pouco mais de dignidade e em paz começa a ficar uma realidade distante de nós
Assim como é fácil deixar tudo como está, não pode ser difícil romper com uma situação desconfortável.
Criar um novo ciclo de mudanças, procurar a paz e tranquilidade.
Ninguém tem dúvidas de que as dificuldades aparecem, mais cedo ou mais tarde, na nossa vida.
Quando começo a analisar bem as coisas, dou-me conta de que os caminhos que vou fazendo no dia-a-dia, não são mesmo nada originais.
E fica o quê? Desilusão desanimo, por não conseguir....fragmentos do cotidiano, impressões e sensações.
Aqui não faço especulação.
Apenas o simples, apresentado com simplicidade.
Porque eu sei que para qualquer absurdo há sempre um precedente.
Afinal, talvez consiga fazer alguém feliz!

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Linda Grant, finalista do Booker Prize 2008

Vidas Entrelaçadas, é um romance fantástico, cheio de vida.
É um estudo de personalidades ricamente trabalhado, uma história familiar e comovente.
Trata da temática da imigração, das questões raciais e da problemática social .
Sendo a escritora filha de imigrantes judeus, um russo e um polaco, é-lhe fácil abordar este tema da discriminação, porque tanto a Linda Grant como a grande protagonista do romance Vivien nasceram em Inglaterra, mas é também filha de imigrantes.
Mas a leitura mais interessante encontra-se na metáfora da roupa para aprofundar um retrato psicológico do ser humano.
Segundo Linda Grant, somos o que vestimos porque as roupas revelam as nossas várias personalidades.
Gostei, recomendo.

Funchal

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