quinta-feira, 17 de dezembro de 2009

Para mim hoje é Natal!!!

.... por isso passo a citar o poema de Ary dos Santos.


Tu que dormes a noite na calçada de relento
Numa cama de chuva com lençóis feitos de vento
Tu que tens o Natal da solidão, do sofrimento
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que dormes só no pesadelo do ciúme
Numa cama de raiva com lençóis feitos de lume
E sofres o Natal da solidão sem um queixume
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher
Tu que inventas ternura e brinquedos para dar
Tu que inventas bonecas e combóios de luar
E mentes ao teu filho por não os poderes comprar
És meu irmão amigo
És meu irmão
E tu que vês na montra a tua fome que eu não sei
Fatias de tristeza em cada alegre bolo-rei
Pões um sabor amargo em cada doce que eu comprei
És meu irmão amigo
És meu irmão
Natal é em Dezembro
Mas em Maio pode ser
Natal é em Setembro
É quando um homem quiser
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer
Natal é sempre o fruto que há no ventre da Mulher

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

É já o mês da festa, é quase no Natal






Hoje o tempo passa a correr.
Mas, nem sempre foi assim!
Os dias enormes, as horas não passavam, tudo era grande,com outro efeito, que não o real.
Tudo muito calmo, suave, tive a beleza que a vida proporciona na infância. Sonhos realizados, mais aqueles coloridos que mesmo ao despertar do sono continuava com a ilusão!
A imaginação levava-me a fantasiar e a acreditar nos contos e histórias.
E, era assim, que eu aguardava o mês da festa, ou seja o Natal.
O frio, a chuva o vento ajudava-me a perceber a proximidade desta época natalícia, as «Manhãs de Páscoa» vermelhas, os «Sapatinhos»,e as «Estrelícias» a crescerem no jardim, os potes com o trigo em água, o cheiro a especiarias na cozinha, adivinhava que iam ser feitos os bolos e broas de mel.
A azáfama da minha mãe e da (empregada) Ana, a construir a lapinha, onde para além do Menino Jesus e todas as figuras religiosas, não faltavam os patinhos vermelhos sobre o algodão, a caravela dourada ..., vi-os lá em casa na semana passada, resistindo ao tempo e me reavivando as memórias.




























À noite antes de adormecer,e enrolada nos cobertores pedia perdão arrependida das maldades e das faltas cometidas.
Já pouco dias faltavam para colocar o sapato junto ao fogão e não queria ser penalizada.
E a minha mãe não me deixava esquecer que quem se portasse mal não tinha presentes do Menino Jesus.
Sonhava com a casinha das bonecas, com roupas e sapatos novos, mas a certeza é que tinha sempre uma boneca feita de trapos, com cabelos de lã. Quando se desfez a ilusão do Natal descobri que era feita pela minha tia Maria.
Ainda me lembro que fechava os olhos e via ruas cheias de estrelas e muitos pacotes embrulhados em papel de fantasia com fitas de cetim que chegavam à minha cozinha pela chaminé.
Era assim que eu aguardava a noite de Natal, com as minhas esperanças que saiam do meu livro de histórias.
E... finalmente chegava o dia 24 !
Mantinha-se o mesmo ritual na hora de se deitar,com a diferença que era acordada para ir à Missa do Galo, missa da meia-noite.
Foram as minhas primeiras saídas à noite... eu sentia uma alegria misturada com ansiedade porque no regresso a casa já tinha os presentes no sapato.
Depois tomávamos a canja.
A mesa estava enfeitada ao centro com pinhas e azevinho verde com bolinhas vermelhas, cheia de bolos, doces, não posso esquecer os licores com vários sabores, o aniz o vinho Madeira doce e também conhaque e whisky.
Não posso esquecer as sandes feitas com carne de galinha em pão caseiro.
Até fico a salivar...













Claro que eu só podia beber sumo de maracujá.
Os meus pais e irmãos também tinham presentes, e ficavam em convívio pela noite dentro.
Aí eu já caía de sono.
Já tinha recebido as minhas prendas, e às vezes recordava que já tinha visto aquele papel colorido no roupeiro da minha mãe.
A festa continuava por vários dias com a visita dos famíliares e amigos.
A desilusão chegou pelos sete anos, quando eu descobri que o Menino Jesus nunca tinha entrado lá em casa, que a chaminé era um adorno, e era a minha mãe que ia colocar as prendas no sapatinho.
Acabou-se a fantasia do Natal.
Deixei de sonhar com as prendas a deslizar pela chaminé tipo escorrega para o meu sapato, e apercebi-me que os contos de Natal eram fantasias, para suavizar as diferenças que existem no Mundo que o Homem ainda não conseguiu reparar.
Dei por mim a reviver os Natais da minha infância, por ser Dezembro, e por ver também aquele anjinho de cabelos amarelos na casa da minha mãe.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Como tudo tem uma explição, é preciso falar.

Eu quero ter a serenidade como lema na vida.
Não quer agir por impulso.
Não quero gastar energias à toa,com pessoas ou coisas desinteressantes.
A vida, para mim, é muito mais do que emoções efémeras.

Gosto de meditar e ponderar as razões dos factos.
Não gosto de agir com emoção, quero estar com consciência e paz interior.

Preciso de falar!
Preciso explicar, como interiormente fiquei atormentada, a minha alma já vivenciou tantos registos, tantas incertezas , mas esta é indescritível e tão desconhecida para mim....
É algo estranho ,não quero perder a lucidez... prefiro acreditar que não aconteceu, do que me perder em desilusões concretas que não alimentam a minha vida, o meu sonho, a minha esperança.
Não posso omitir, estou aguardando a hora certa.
Mas será que vou conseguir saber qual a hora certa?
É puro instinto dizem-me os mais velhos.... e aconselharam-me a falar, nada na vida deixa-se passar em branco, como se nada existisse, não há como deixar tudo transparente.
Não sonho com um mundo ideal, mas acredito na esperança de tornarmos sinceros uns com os outros. Por vezes penso que posso remover montanhas as que bloqueiam o melhor de nós, a paz o amor a tranquilidade a ousadia a fé a felicidade e satisfação.
Não sou lunática, doente nem deprimida, não me rotulem por querer ser feliz, e tentar em todos os momentos a muito custo ter uma felicidade.
Não sou desumana, até posso sê-lo sem sentir que o faço.
Sei que a vida me atraiçoa, sempre com aqueles que não contava.
Posso ter filosofado inconsequentemente agora, mas se isto servir de desabafo e deixar de me atormentar dias e noites e que finalmente consiga falar da minha verdade.
Quero voltar a ter a minha tranquilidade ,mas tenho receio que ao olhar nos olhos não veja o sentido e a certeza de que tudo foi devidamente esclarecido.
Mas, é agora que devo uma explicação que envolve terceiros, e o omitir nomes?
Jamais,para que tudo se esclareça terei de dizê-lo, sou iniciante no «disse que disse», mas hoje terei de fazê-lo, é uma estreia.
Já fui encorajada para fazê-lo, e sei que tenho que agir.
Quando for feito, poderei enfim, dormir o mais belo e puro dos sonos, tranquila, relaxada, feliz... sorrirei para o passado, e vou continuar com o meu presente (quase) perfeito.
Enquanto esta hora não chega, vou vivendo tranquila pelas minhas certezas, que não são apenas minhas, porém eu consigo lidar harmonicamente com este destino que é incerto para mim, e para todos.
E, porque nós somos tão desiguais.
E, porque....

sábado, 21 de novembro de 2009

Aniversários, que venham muitos!!!!!

Passaram os dia, os anos ..., e eu não senti.
Parece que foi ontem, eu sentia aquela dorzinha suave no coração, de alegria, claro!

E, é incrível que hoje ainda a sinto,principalmente nos dias de grandes acontecimentos. Ou quando algo está mudando sem o meu controlo.

Às vezes sonho que o tempo parou.

As boas recordações quero-as sempre, pouco me importa que me chamem saudosista.

São estas memórias que me fazem sentir feliz sem ressentimentos e, que me fazem ser esta mulher que sou hoje.

Nem sei por onde começar?

Por todos os meus aniversários passados ,ou seja os que eu me lembro, ou os que foram festejados com muita alegria.

A minha memória hoje está naquela cadeira enfeitada com flores,onde eu me sentia importante, sentada à mesa.

A minha mãe sempre teve flores à mesa, mas neste dia tudo tinha que brilhar.
Tudo era esmerado, a refeição as sobremesas e o bolo com velas.
A sensação maravilhosa de me cantarem os parabéns, de receber presentes, telefonemas, postais, cartões vindos pelo correio.

Para as pessoas como eu, sendo a mais nova, (e ciumenta), gostava de ser lembrada por todos, e eis a minha oportunidade, por isso não desperdiçava nem um minuto.
Era o meu dia de glória!

Hoje, continua a ser o meu dia, mas já com melancolia, vou reflectindo sobre mais um ano que passou, sobre tanta coisa que eu não fiz, e, aquela coisa pessimista "foi um ano a menos de vida".

Mas este ano tudo mudou.

Dessa data do passado até hoje, tanto aconteceu!

Coisas boas e más, que me fizeram apreender, muito!

Contudo um ano tão maravilhoso que eu posso dizer, que vale a pena viver. Não que eu tenha defenido o que é viver, até porque continuo sonhando.

Por isso agradeço às pessoas que eu amo.

Um obrigado, o maior de todos à minha mãe, mesmo com "alzheimer" e nem sempre me reconhecendo, sei e sinto que ela continua a gostar de mim.

Ao meu pai, mesmo não estando presente, sei que deve estar entusiasmado pelo que eu faço e sinto, mas, às vezes não deve sentir orgulho desta "casula", mas hoje sei que sou perdoada.

À minha filha, ao meu marido por estarem sempre presentes a me dar apoio e carinho, aos meus irmãos, aos meus sobrinhos a todos os meus familiares e aos meus amigos, que tenho tantos! e,que são o meu pilar, a minha força de viver!

Agradeço também, em especial a todos os que se lembraram de me dar os parabéns, certamente que ficarão guardados junto comigo, para sempre.

E que venham os 49!
Não é que goste muito deste número, mas desejo que represente muitas mais coisas positivas na minha vida.

Lá vou eu novamente...
Com muita alegria até os 50, se Deus quiser!
E, já agora revelo um segredo, quero viver muitos mais anos!

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Sorrir sempre

O dever de cumprimentar amigos,conhecidos é uma regra de etiqueta, há quem não ligue, há quem desconheça.
Eu, por hábito ou por espontaniedade saúdo sempre, nem que seja com um sorriso.

Eu sorrio sempre, muito, a toda hora, por qualquer coisa. Sou de sorriso fácil, o meu sorriso é genuíno, espontâneo, automático, alegre e sincero.

Há sempre quem não gosta, e diz:

- Pára lá com isso.

E, eu?

Não percebo os mal-humorados, não gosto de ser recebida com uma cara feia, que mostra discordância antecipada, irritação. Aí, quando consigo angariar um sorriso, ainda que seja falso ou amarelo sempre é melhor que a crispação.
Ainda hoje penso que há pessoas que não sorriem, por pensar que perdem a credibilidade, a seriedade, e assim escondem a insegurança. Já me diverti ao descobrir que há colegas que não sorriem entre si, para dar aquele ar de que são os mais importantes, que os cargos que ocupam são superiores, ...
Quanto ao sorriso, não sei se tenho uma habilidade, ou uma virtude.
Sei,que há quem simplesmente não confia, ou não me leva a sério.
Eu confesso.
Sinto que tem gente que desconfia de quando eu chego contente, efusiva às vezes, pensam não é real, mas, sei que aquela felicidade que sinto, existe de verdade e, portanto vale tudo, mesmo que para os outros seja quase nada.
Devíamos sorrir mais, a vida ficaria mais facilitada, os momentos mais alegres, e porque não uma linda gargalhada!

Ahahahaha!!!


quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Fragilidades

Eu preciso me tornar melhor a cada dia.
Permitindo que as experiências me remoldem, e me dêem novas perspectivas, me façam ver onde eu posso e devo mudar.
Difícil é aprender a controlar a emoção.
Mais difícil ainda é falar as verdades do coração, viver em harmonia , aprender a receber e dar carinho, sorrir quando se quer chorar.
Este é o meu caminho?
Não, este foi o meu caminho.
As palavra, por vezes despertam-me a ira ou amolecem-me o coração.
Eu preciso ser muito mais do que quero ser. Cada manhã despertar para um desafio de mudar, procurar, amadurecer, entender.
Serenar o ego, negar a rejeição. Controlar a língua, usar o coração.
Perdoar jamais...
Não tenho direito de julgar!
Mas,compreender é a arte de se dar e amar,é a arte de aceitar os defeitos, menos a traição, que só existe, quando realmente há falta do verdadeiro amor.
Quando existe amor, gratidão, carinho, tudo se dá bem. Por incrível que pareça, até se renuncia, nem que seja um pouquinho.
Até eu descobri que ninguém ama sozinho e que é preciso se amar primeiro para estar bem.
A traição dói, mas só até quando eu olho pra dentro de mim e apreendo que pode ser muito mais forte do que imaginava… Só assim um sorriso sincero aparece, e junto a vontade de recomeçar sem olhar para o que passou.
Já passou as fases da rebeldia, da indiferença e ingratidão, o registo actual é pior, é alarmante o não reconhecimento, o abuso e o desrespeito.
Todos nós convivemos com dores e angústias, e arrisco-me a dizer, baseado em alguma experiência e muita observação, que uma das maiores, com toda certeza, é a frustração gerada pela ingratidão.
Não quero que estas trajectórias brilhantes acabem, deixando que a decepção defina as suas escolhas.
Eu, nunca desisto, mesmo desiludida por completo, ruminando uma queixa permanente de traições do passado e do presente.
Gosto de ajudar e empenho-me que seja proveitoso, só não me preparo para a possibilidade da decepção, da ingratidão.
A esta minha postura maternal, faltou a avaliação se essas pessoas a quem ajudamos, estão preparadas para reagir da forma como esperávamos.
Não quero ser perita em vencer decepções, quero é nesta hora da dor e da frustração, não me entregar à tristeza.
Nunca deixar a decepção tornar a vida amarga.
Perdoar, nestes casos, é seguir em frente.
Só espero que a nova geração seja melhor!
Agradeço silenciosamente por a minha filha não ser assim!
Só por ela eu sinto orgulho.
Só por ela eu nunca devo falhar.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Procura-se felicidade.

Sempre pensei que objectivo principal e necessário de toda a existência deveria ser a felicidade.
Mas verifiquei que a felicidade não pode ser obtida individualmente, é inútil se esperar pela felicidade isolada.
Quanto melhor ser a dois, dá mais força para procurá-la.
Todos devemos partilhá-la ou então a maioria das pessoas nunca poderão ser capazes de gozá-la.
Assim até parece simples: a felicidade, o amor, a vida, a beleza, a amizade e esperança.
Eu, ser humano, sou eterna insatisfeita.
Parece que nunca estou completa, e, também, posso dizer que adquiri manias e imperfeições que não ajudam em nada os meus percursos.
Também as teorias filosóficas de que, se pensarmos sempre bem, é isso que acaba acontecendo, não me parece real.
Também me sentir feliz porque há pessoas com situações piores que eu, não me parece nada correcto.
Também valorizar o que tenho em função do que outros não têm, é crueldade.
Eu, analisando rapidamente tudo o que dizem e o que se diz, fico em desvantagem por não ter fé, por não acreditar na boa vontade deste mundo tão desigual.
Mas o que eu quero hoje dizer é que estou feliz...
Já não falta tudo para ser uma pessoa completamente realizada.Lógicamente que ando sempre à procura,daquela perfeição imperfeita, da ilusão...
A minha vida dá voltas, cruzo-me com pessoas que, de uma forma ou de outra, mudam a minha vida ou, pelo menos, fazem-me sorrir exactamente da forma como eu preciso.
Era isto que hoje vos queria dizer, que a vida pode sempre nos surpreender, quando menos esperamos.
Há boas notícias que chegam, há várias realidades, há vulgaridades, contudo há dias que marcam a nossa alma e a nossa vida, e são estas datas que eu decido comemorar.

Funchal

Funchal