quinta-feira, 17 de maio de 2012

Voar


Voar é ver o mundo de cima.
É ver o horizonte, 
e até onde podemos ir.
Para além, 
não vemos,
não sabemos…
Simplesmente, imaginamos…

É bom sempre poder sonhar!
Quero viver como um acontecimento! 
Como um momento que começa do zero. 
Quero sentir que tudo de bom começa 
e sem hora para acabar…
e vou continuar a voar



domingo, 6 de maio de 2012

Dia da Mãe



No mais fundo de ti
Eu sei que te traí, mãe.

Tudo porque já não sou
O menino adormecido
No fundo dos teus olhos.

Tudo porque ignoras
Que há leitos onde o frio não se demora
E noites rumorosas de águas matinais.

Por isso, às vezes, as palavras que te digo
São duras, mãe,
E o nosso amor é infeliz.

Tudo porque perdi as rosas brancas
Que apertava junto ao coração
No retrato da moldura.

Se soubesses como ainda amo as rosas,
Talvez não enchesses as horas de pesadelos.

Mas tu esqueceste muita coisa;
Esqueceste que as minhas pernas cresceram,
Que todo o meu corpo cresceu,
E até o meu coração
Ficou enorme, mãe!

Olha - queres ouvir-me? -
Às vezes ainda sou o menino
Que adormeceu nos teus olhos;

Ainda aperto contra o coração
Rosas tão brancas
Como as que tens na moldura;

Ainda oiço a tua voz:
Era uma vez uma princesa
No meio do laranjal...

Mas - tu sabes - a noite é enorme,
E todo o meu corpo cresceu.
Eu saí da moldura,
Dei às aves os meus olhos a beber.

Não me esqueci de nada, mãe.
Guardo a tua voz dentro de mim.
E deixo as rosas.

Boa noite. Eu vou com as aves.
Poema à Mãe, de Eugénio de Andrade

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

E hoje?

O tempo passou...
Mesmo longe de mim e do meu colo.

Faço tudo para ver nascer o teu sorriso.

Sê Feliz é o meu aviso.


Minha filha linda!

Até já!

domingo, 1 de maio de 2011

Tenho medo da vida, minha Mãe


... Diz à dor que me espera eternamente, para ir embora.
Expulsa a angústia imensa.
Do meu ser, que não quer e que não pode....
Dá-me um beijo.
Minha Mãe, minha Mãe, eu tenho medo.
Me apavora a renúncia.
Dizei que eu fique.
Afugenta este espaço que me prende.
Afugenta o infinito que me chama.
Que eu estou com muito medo, minha Mãe.



(do livro de Vinicius de Moraes "Poesia completa e Prosa", Rio de Janeiro 1998, pág. 186)

sábado, 23 de abril de 2011





















Sou apaixonada pela vida e pela gargalhada.

Vivo na ansiedade de realizar projectos, todos maiores que o meu tempo.

A reflectir profundamente sobre a vida tenho o dever e reclamo direitos, não só para mim, mas direitos colectivos. Defendo a família como pilar de uma sociedade melhor. Engano os sentidos a reuni-los , sei que por mais energia que eu tenha nunca poderei modificar o que está errado.
Da falsidade dos cumprimentos dos rituais das reacções bem recentes, eu consigo esquecer, porque fico com a ilusão que todos somos boas pessoas.

Quimera irrealizável...

terça-feira, 12 de abril de 2011

Feliz Aniversário Guido!

Hoje festejarias os teus 65 anos. A verdade é que a morte é algo estranho de entender. Partiste tão cedo deixando tanto para viver. Ainda bem que não conheço o criador do destino, porque teria de ajustar muitas coisas que nunca concordei, e que ninguém me sabe explicar. Hoje acordei, e pensei em ti, imaginei a tua festa de aniversário e a felicidade que todos sentiríamos por estar contigo. Mantenho esperança que nos havemos de encontrar para comemorar tudo o que não pudeste estar presente. Não posso cantar-te os parabéns, nem desejar-te felicidades, mas posso sempre nunca te esquecer. Até sempre !!!! Descansa em Paz !!!

sábado, 19 de março de 2011

Pai

Querido Pai!

Pai, tudo mudou.
Não quero pedir para regressares, porque sei que te vás desiludir, muito.
Nada já é igual, talvez porque foste embora cedo de mais. Talvez porque os puros como tu também morreram.
Tudo o que eu sonhei contigo nada se concretizou.
O pais está cada vez mais desigual.
Lembraste da Revolução dos Cravos?

Explicaste-me o que era a democracia.
Ensinaste-me a viver a liberdade.
Esclareceste-me o significado das eleições e do voto livre. Indicaste-me os direitos , deveres e a importãncia da cidadania.
E o prazer que sentias ao comentar os noticiários a ler os diários e como entusiasmadamente me explicavas o sentido da liberdade de expressão.
Com regozijo educaste-me para viver em liberdade.
Contigo, eu podia sonhar.
Absorvi a tua sabedoria.
E tenho memórias inesquecíveis...
Hoje regredimos, a ambição corrompeu em todos os meios, está enraizado o mesmo sub-sistema do clientelismo que me disseste que havia antes do 25 de Abril de 1974.
Vês com retenho tudo o que aprendi?
Mantenho a mesma personalidade, vivo a lutar sempre, a pensar que vou mudar as atitudes, as pessoas, e nunca perco a esperança, porque te tenho sempre presente como exemplo de educação, força e lealdade.
Às vezes canso-me é de tanto esperar...mas, logo continuo a acreditar num mundo melhor.
Sou como tu, acredito também que as novas gerações vão fazer a mutação.
Também me dizias que o teu futuro dependia da juventude.
Que te sentias jovem, só que tinhas mais experiências.
Hoje ninguém os ouve. Não há trabalho. Não há futuro.
Eu estou incluída nesta realidade.
Estou precisando muito da tua ajuda.
Percebes porque festejo este dia?
Porque estás aqui !
Manteremos este amor incondicional.
Por mim,

Por ti,
Por ontem.
Por hoje.

E... até sempre.

Beijinhos
Pai.

Funchal

Funchal