domingo, 20 de junho de 2010

Estejamos vivos, então?
















Morre lentamente quem não viaja,
Quem não lê,
Quem não ouve música,
Quem destrói o seu amor-próprio,
Quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem se transforma escravo do hábito,
Repetindo todos os dias o mesmo trajecto,
Quem não muda as marcas no supermercado,não arrisca vestir uma cor nova,não conversa com quem não conhece.
Morre lentamente quem evita uma paixão,
Quem prefere O "preto no branco"
E os "pontos nos is" a um turbilhão de emoções indomáveis,
Justamente as que resgatam brilho nos olhos,
Sorrisos e soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho,
Quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho,
Quem não se permite,
Uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da Chuva incessante,
Desistindo de um projecto antes de iniciá-lo,não perguntando sobre um assunto que desconhece
E não respondendo quando lhe indagam o que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves,
Recordando sempre que estar vivo exige um esforço muito maior do que o simples acto de respirar.
Estejamos vivos, então!

Pablo Neruda

3 comentários:

Manuel disse...

Estejamos vivos, então?
Lindo!
Fiquei sem palavras.
(também já não é a primeira vez)
Parabéns!
Tudo aqui é de extremo bom gosto,para além de verdadeiro,simpático...

Beijos

Dalva Maria Ferreira disse...

Que poema tão verdadeiro. Eu tenho um sonho: conhecer a terra de Neruda,ver a lua que ele via, sentir o vento que ele escutava. Um abraço grandão Conceiçãozinha...

DE-PROPOSITO disse...

Evitemos a morte em doses suaves,
-----------
Como se isso fosse possível!... Ninguém sabe como morre, a não ser que tome a opção 'de morrer'.
------
Felicidades.
Manuel

Funchal

Funchal