quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Regredir






Não sei se fico mais velha, porque me lembro de ser criança.


Sei que hoje 40 anos após a tua súbita e inesperada ausência, a mãe esperou por ti.


Talvez não saiba ler o calendário, desistiu de saber do tempo, tem falhas de memória, esqueceu-se da vida, aborreceu-se com o mundo, mas precisamente hoje olhou para mim e disse:


- Hoje não saio de casa.


- Estou à espera do telefonema do Guido!


Deixou-me a pensar, na vida não há coincidências.


O tributo que deste, já não é valorizado, não é importante na História de Portugal, com certeza ficarias desiludido na regressão ao mundo dos vivos.

Eu, nunca te esqueci.
Descansa em Paz.

6 comentários:

Fernando José Ramos disse...

Regredir 40 anos é ter memória,é não deixar esquecer o que é importante:
- A vida!
A todos os mortos na guerra do ultramar o meu bem-haja.
Um grande abraço

Espaço do João disse...

Querida amiga.
Estou prestes a cumprir 44 anos de passagem à disponibilidade. Sofri muito nessa data, muito embora não tivesse combatido no Ultramar. Fiz parte duma unidade que acompanhava os embarques e desembarques. Ainda sinto os cabelos eriçarem quando me lembro de certas mães, irmãos, filhos, namoradas,mulheres , etc serem arredadas das docas e, não deixava-mos dar o último abraço aos seus ente queridos. A culpa não era minha, cumpria ordens. Nunca fui cobarde, se fosse mobilizado, teria a mesma sorte que todos os meus camaradas de então. A minha irreverência, custou-me 4 anos e, 9 meses de tropa. Pode crer que não sou candidato á presidência da República... Os anos passam, a memória fica.
Um abraço do tamanho do mundo.
Joãp

Manuel disse...

Continuas única e maravilhosa.
As tuas regressões fazem acordar os que nunca falam, os que querem ocultar e fazer de conta que não existe passado.
Um beijo

Vieira Calado disse...

Tempos, duros,

esses!

Beijinhos

Jardineiro do Rei disse...

Minha Amiga...
O passado não se pode modificar. Faz parte da nossa memória.Infelizmente perder um ente querido é estar permanentemente a caminhar no interior da sua ausência. Que mais podemos fazer senão preservar essa memória?

Um beijito embrulhado num sorriso...

carol disse...

Desculpe entrar sem bater. Mas vim pelo Espaço do João e gostei. Gostei muito deste texto. Muito belo. Muito sentido!
Parabéns e obrigada.

Funchal

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